Sunday, 5 July 2009

Goodwood Festival of Speed 2009

O Zé Manuel não teve tempo de pintar os guarda-lamas ao Corsa...



Não existe nada de comparável com o Goodwood Festival od Speed ( GFS). Podíamos chamar-lhe um "evento automóvel", mas isso era o mesmo que comparar a ponte sobre o Tejo com aquelas pontes feitas de cordas nos desfiladeiros da América Central.




A Força Aérea não faz deslocar helicópteros e caças topo de gama para demonstrações a eventos "automóvel". Peter Fonda não guia a sua moto com que entrou no filme " Easy Rider" nos anos sessenta. Não enviam dez contentores com carros dos EUA para qualquer "evento automóvel". A Alfa Romeo não esvazia o seu museu e o faz deslocar para outro país só por causa de um "evento automóvel". Nem se pode contactar com o Bloodhound SSC, que vai tentar quebrar o record do Mundo de velocidade. Ou ver pela primeira vez a acelerar em pista o novo "familiar" da Porsche,Panamera. Ou o Tramontana. Uma espécie de F1 de dois lugares, legalizado para andar na estrada.

Deixar o Fernando Rocha tripular o Monster 1000 CV tinha sido uma má idéia...


Goodwood, é um evento, onde os responsáveis se juntam todos os anos, e devem pensar: "Ora bem, deixa cá ver como podemos superar as expectativas do ano passado? ". Normalmente conseguem, com a ajuda das dezenas de celebridades e pilotos de todas as épocas que acorrem ao Sul de Inglaterra para maravilhar multidões.

Nos momentos "mortos" ( Se é que os existem) há sempre um caça Typhoon Eurofighter à velocidade do Som por cima das nossas cabeças, ou a Cessna a demontrar o seu novo Corvalis ou o maior avião monomotor da actualidade, o Caravan Amphibian. Disponíveis no aérodromo da quinta. Ou a Porsche e a Bowler a possibilitar aos visitantes experiências em todo-o-terreno.

Falar sobre Goodwood, é uma tarefa dificílima. Para resumir, é um Festival que reune numa quinta com quatro quilómetros de comprimento, máquinas de sonho em acção. Não existem alcatifas e correntezinhas. Apenas barulho ensurdecedor de V8 e V16, cheiro a gasolina, pilotos a conversar com o público, e Staff a gritar com as pessoas para deixar passar o Porsche ou o Ferrari que se avariou. A empurrar Fórmulas 1 por entre famílias com carrinhos de bebé, e a pedir desculpa pelo incómodo. É falar com Alan Jones ou Bruno Senna. Ou Takuma Sato. Ou Jacques Laffite. Ou Eddie Irvine. Deixo-vos aqui estas imagens, que foram tiradas este fim-de-semana, num dos locais mais emblemáticos do planeta.

Ir a Goodwood, é uma opção que não nos deixa dormir mesmo meses depois. Adormecemos a pensar que o nosso modesto quatro cilindros em linha duplicou de tamanho,e temos de nos referir a ele começando por "V". E o escape caíu. E que no lugar dos bancos traseiros, repousa agora um roll-bar e um depósito de combustível. Até que o desperador finalmente toca...




( Visite http://www.goodwood.co.uk/) e clique em "motorsport" para ver os vídeos promocionais e começar a bater com a cabeça nas paredes. Para o ano a gente vê-se lá...




Monday, 29 June 2009

Encontro Land Rover: Devolver o conceito a quem de direito





Land Rover costumava ser sobre "jipes". Para mim, quando oiço a palavra " Land Rover" penso imediatamente em GNRs com farda de "pêlo de rato", a chegarem lá embaixo na rua de terra batida, á nossa procura porque andávamos a gamar nêsperas. São os Land Rover e as Sachs: Ouvi-los, era constatar que estávamos em apuros.

A coisa não mudou com o passar do tempo. Estar em apuros, passou então para o lado do comprador, que contava agora com um requintado conforto interior, útil para esperar pelo reboque da assistência em viagem. Talvez por isso, Land Rover passou então a ser comprado apenas por mamâs para levarem os filhos à escola, e pouco mais. Todo-o-terreno, passou a designar-se o acto de estacionar num terreno de terra batida junto à escola privada.
Um arado. A faceta sócio-económica do Land Rover esquecida...


Com o passar dos anos, As pessoas começaram a não relacionar Land Rover com "Todo-o Terreno". Uma geração inteira, já conhece a marca como o "carro grande da mamã com que ela me ia buscar à escola", ou como uma caixa grosseira caríssima que se assemelha como uma furgonette. ( Discovery 3).

Assim, a marca pensou que o seu cliente-tipo estava a mudar, e decidiu começar a produzir uma espécie de Renaults 4 caríssimos com pneus grandes. Podia continuar a chamar-lhes Land Rover Freelander, que as mamãs na escola e os papás no escritório nunca se iam aperceber da diferença.

O "Lightweight". Desenhado para ser helitransportado por um Westland Wessex.


Ninguém no seu perfeito juizo, iria para o Tombuktu ou para a Líbia num Discovery 3 ou num Range Rover Sport. Ninguém sairia de Lisboa num Freelander. Partindo do princípio que não eram sequestrados ou que ficassem a pé, não me parecia praticável " procurar o próximo concessionário" no meio do deserto por causa de uma avaria electrónica. Aliás, experimentem ficar avariados na Lagoa de Albufeira!

Sabendo disso, a Land Rover deu a volta ao texto, e continua a fabricar ainda modelos com motores obsoletos e simples, para vender em mercados " em desenvolvimento" fora da Europa. O que significa que estes mercados uma vez " desenvolvidos", já poderao ser impingidos com estas tralhas falsificadas de computadores com rodas de tracção às quatro que as mamãs já não querem.

Apesar do panorama medonho, mesmo com o passar dos anos o entusiasta Land Rover, continua a acreditar que este deve ser lavado por dentro com uma mangueira, e que a hierarquia se mede em riscos de arbusto e lama na carroçaria ,e a marca continua a congregar adeptos indeflectíveis da marca, como aqui o vosso amigo que visitou este encontro próximo de Manchester.


English to the bone: E mal pintado ainda por cima. Perfeito!


É agradável voltar de novo a ouvir frases com "Land Rover" e " Caminhos de pedras", " Lamaçal" ," Guincho" e "perda de tracção", em vez de " Escola" "miúdos" , " Jogos de golfe" e "colegas do escritório". Apesar de um ou outro Land Rover " a fingir ( Freelander) misturados entre o artigo genuíno, a tarde foi um regressar ao conceito que aproxima o Land Rover da "land" ou seja , da terra. Porque da última vez que olhámos para o símbolo, não vimos lá escrito "School Rover", ou " Very-expensive-van-that-resembles-vaguely-like-an-SUV-to-show-the neighbours-Rover."

Comprem antes jipes a fingir para levar os putos à escola. X5 ,Qascais, XC 90 e companhia limitada.Deixem os Land Rover da mão . A História do Automóvel agradece...
































Monday, 22 June 2009

Tornado: A locomotiva a vapor made in 2008!

Dezoito anos para fabricar! Uma locomotiva a vapor novínha em folha!




O que fazer quando por engano destruímos todos os exemplares disponíveis de um modelo de locomotiva a vapor obsoleto que já não interessava a ninguém na era "moderna" da tracção Diesel?

Simples: Vamos a um caixote cheio de papéis abandonado num armazém e reconstruímos uma nova, de raiz,utilizando os planos originais. Só em Inglaterra! Iniciada a sua construção em 1990, só a 29 de Julho de 2008 foi lançada aos carris, após quase 60 anos do último exemplar ter sido construído.

Demorando dezoito anos a ser construída, com todas as peças fabricadas manualmente, e com um custo total de 3 milhões de Libras, suportados por empresas , particulares e entusiastas, a Peppercorn Tornado efectuou o seu primeiro transporte de passageiros em Janeiro de 2009, atingindo a velocidade de 121 Km por hora. "Pepercorn", deriva do nome do seu desenhador Arthur Pepercorn, cuja viúva viajou no passeio inaugural com o principe Carlos e Camilla a bordo.


Chegada a Newcastle-Upon-Tyne numa das viagens turísticas agora disponíveis...




Embora recorrendo aos planos originais, a construção desta locomotiva utilizou naturalmente a ajuda de desenho computorizado, e corte de peças a laser.Está naturalmente preparada para fazer face à legislação actual ferroviária , e possui mesmo GPS. É actualmente a locomotiva a vapor mais rápida do Reino Unido, capaz de atingir 160KM por hora, embora esteja legalmente limitada a apenas 90. Nos seus tempos de serviço, esta locomotiva tinha como missão puxar composições de 15 carruagens, ou 550 toneladas.

Com a designação numero 60163, imediatamente após o último modelo a ser construido em 1949 ( 60162), esta locomotiva irá fazer percursos turísticos por Inglaterra, e lentamente pagar a dívida de 800 000 Libras ainda restantes do projecto. Viva o engenho e a vontade humana que mais do que não deixar perecer estes importantes testemunhos industriais, vai mais além e chega mesmo a recriá-los. Impressionante.